quarta-feira, 31 de março de 2010

A Hora do Rato

Conto

A hora do rato:

Parte IV

Os movimentos rítmicos feito pelo corpo de Worthan e o barulho da chuva que agora bate na janela, lhe remetem novamente ao momento em que ele a viu na chuva, caída com uma faca no abdômen.

Ao longe Eva escuta os passos de duas pessoas, ela logo distingue as passadas rápidas e nervosas de Ian, mas não consegue ver até notar um dos símbolos do deus sol a tilintar no pescoço de um homem que ela conhece tão bem e uma única palavra escapa de seus lábios...

Icabot....

Worthen para ao reconhecer a pessoa que esta esfaqueada a sua frente, suas mãos fecham e abrem repetidamente, tentando encontrar forças, Eva Marim’ham esta a sua frente tão linda quando ele se lembrava...

Worthen abandona a prudência e duvidas e corre até a mulher que ele ama, retira a faca e começa a curá-la, ele sente os braços dela passando por seu ombro... então ele escuta um nome...

Icabot...

Uma fúria cega se apodera de Worthen, ele pega a faca e faz com que entre no corpo de Eva... Uma, duas, três, quatro... vinte e seis vezes...

No inicio dos golpes ela arregala os olhos e finalmente com a névoa dissipada ela vê seu antigo amigo Worthen e num relance abre um sorriso que é destruidor a ele...

“Eu te Perdôo”

Ian que fora buscar uma proteção contra a chuva, nota o clérigo com a faca acima da cabeça... ele corre como se o diabo estivesse atrás dele.

Chegando ao seu estábulo fedido, ele se esconde embaixo de um monte de feno e agradece aos deuses o fato dos nobres e clérigos nunca olharem a face da ralé, mas chora pela bela princesa, porem o que fazer? Afinal quem acreditaria que um cuidador de estábulos viu o clérigo mor da cidade matar a princesa herdeira?

Em sua cama suja Ian chora, talvez ele se espanta se em ver as mesmas lagrimas no rosto de um certo  clérigo que ele julgava tão diferente de si, agarrado a um cadáver na chuva como quem se agarra ao ultimo suspiro de esperança.

Um grito percorrre a noite, parece a de um homem que teve sua alma assasinada, você não esta muito longe da verdade...

terça-feira, 23 de março de 2010

A hora do Rato

Conto
A hora do rato:
Parte III


Worthen anda cabisbaixo na chuva, a criança ia rápido a sua frente “por aqui senhor por aqui! Oh graças a firagor que nem todos os homens esqueceram de suas obrigações para com os desprotegidos”! dizia o menino apressando seus passos e evitando as poças d’guas.

A mente do clérigo vagueava, voltando ao tempo em que ele queria ser tão livre quanto aquele menino e não seguir a carreira no clero.
As férias eram passadas sempre no castelo de Brascol, na corte de seu tio- avô Lothar, a brincar com neta deste, a pequena e bela Eva Marim’Ham e mais um amigo, um garoto de rua chamado Icabot, embora fossem de origens distintas os três, não havia um único verão que não passasem juntos.

Esses verões foram rareando conforme Worthen tinha que aprender as suas obrigações de nobre, cavalgar, uso da espada, escrita, administração, dança, etiqueta e por quase 3 anos ele nunca mais pisou na corte do império humano.
Veio então o momento de decisão na sua vida, ele tinha quase 15 anos completos e sonhava em ser bardo, musico ou menestrel, ao ser trazido para a corte do rei Lothar em brascol e assumir uma posição de um nobre de segunda linhagem.

O rei no entanto sentia que controlava os aspectos políticos de seu reino, sufocava traições e rebeliões com extrema maestria, mas a igreja de firagor, ah essa era uma oposição ferrenha ao se governo, alguém leal ao trono garantiria uma nova maneira de se manobrar contra a igreja.

Perdido nesses pensamentos Worthan não sente as mãos que enroscam-se em seu peito e a voz que o chama...

...”Venha volte para cama, esta frio sem você...”

Ele volta para cama quase como uma estatua animada, que se mexe mas não tem vida enquanto se entrega virgorosamente a deveres “poucos clericais” e mais “temporais” a única coisa que repete em sua mente, alem das lembranças são as palavras em paralelo....

“Frio... sem você... frio.... sem você....”
“Frio... sem você... frio.... sem você....”
“Frio... sem você... frio.... sem você....”


Continuando com seu serviço quase de forma mecânica e não sentindo o corpo que se contorcia de prazer ao toque seu sua pélvis ou as caricias de outras mulheres em seu peito e costas desnudos...

“Frio... sem você... frio.... sem você....”
“Frio... sem você... frio.... sem você....”
“Frio... sem você... frio.... sem você....”

Uma fina garoa começa a cair... a chuva realmente não vai parar tão cedo...

quinta-feira, 18 de março de 2010

A hora do Rato


Conto

A hora do rato:

Parte II

“A guerra esta declarada, mas muito pior que um homem que começa uma guerra é aquele que tem força de vontade e está resoluto á termina-lá...”


Bulfae Lothar

Guardião da cidade de Zacron


Havia dois dias que ele estava naquele bordel, o cheiro de lascividade ainda preenchia o quarto, agora ele se perguntava como havia chegado ali.

Retirando o braço do seu peito ele nota que pertence a uma prostituta que dormia feliz e satisfeita ao seu lado, ao se levantar ele percebe que não esta na cama com uma, mas com 3 mulheres.

O rubor rapidamente toma suas faces e ele levanta “cobrindo suas vergonhas” enquanto as mulheres continuam dormindo com ar de satisfeitas, o homem procurava afoitamente suas vestes, quando as encontrou o desenho dela lhe saltou aos olhos.

Uma espada flamejante no meio de uma flor de lótus, o símbolo do deus da justiça, o deus da coragem, dos duelos e retribuição, o símbolo de Firagor, um deus que tinha entre seus seguidores um herói que ja tinha salvo o mundo Dorgon Marim'Ham e ali estava um clérigo desse deus que entre seus dogmas tinha escolhido castidade, acordando dentro de um bordel....

Mas como ele havia chegado até ali? Por mais que se esforçasse a memória não conseguia lembrar, então de um dos quartos do prostibulo ele escuta o barulho de um cântaro, derramando seu conteúdo, ele escuta a água corrente, que o faz lembrar da chuva.

Três dias antes...

Ele estava em serviço no templo, a duvida assolava sua mente, cada vez mais Firagor perdia fiéis, eles estavam mais inclinados ao prazer da carne e ao vicio do lótus púrpura que jogava o homem em um estado catatônico de sonos longínquos que em agirem corretamente.

Esse pensamento ainda o acompanhava quando um menino de não mais que nove anos adentrou o templo gritando por socorro e mesmo morando na “parte alta da cidade” onde o crime beirava a taxa de zero% devido a intolerância real e a proximidade das casas dos lordes que faziam parte da corte do rei Lothar, ainda assim era arriscado sair de noite.

“Mas o que eu estou pensando?” dizia a si mesmo o clérigo, esse menino precisa de ajuda e pelo sangue de Firagor, não envergonharei o meu deus...

Seria melhor a ele, Worthen de Lascktow que nunca tivesse vindo ao mundo ao invés de ter acompanhado aquele menino que entrou em seu templo, naquela noite, sua vida mudaria para sempre...

...Lá fora a chuva começara a cair e não dava indícios de parar tão cedo...

A hora do Rato

A hora do Rato


A hora do rato:



Parte I


Era alta madrugada nos muros sul de Brascol, uma fina nevoa se elevava do chão o odor de água se misturava ao cheiro de dejetos fecais e urinairos o lixo se acumulava em torno dos becos e nas esquinas, as paredes tem marcas de fuligem resultante de fogueiras feitas pelos menos afortunados em busca de aquecimento e um homem honesto não se aventurava fora de sua porta mais que a distancia que uma arma pudesse golpear.

Os gritos eram comuns nessa parte da cidade, o bairro tinha o pitoresco nome de “quinta do sol”, mas o sol já não brilhava ali a mais tempo que o mais antigo morador do bairro conseguiria se lembrar, conta-se que o lugar já foi um bairro de gente honesta e trabalhadora, mas isso foi a muito muito tempo mesmo.

Por todos esses motivos ninguém abriu a porta para acudir o grito de socorro de uma mulher que ecoou perdido noite adentro até se tornar um débil gemido e se silenciar afogado nos barulhos noturnos ainda mais ali, na rua de Dorgon, a muito tempo Dorgon foi um herói lendário seu nome inspirava jovens a largarem enxadas e pegarem em armas, significava vontade, luta, paz, justiça, união, hoje a rua de Dorgon é conhecida por outra característica do herói, ele era devotado a Lotus de Firagor, uma flor espiritual que absorvia a alma dos corajosos e lhes dava a chance de renascer um culto muito forte na época de Dorgon.

Hoje nas esquinas da rua que levava o nome do herói em Brascol pode se comprar quase todos os tipos de lótus para entorpecer a mente, corre o boato que aqui compra se tudo, do prazer a morte.

E era isso que ocorria agora nas esquinas sujas e imundas dessa rua era o que sempre acontecia aquele barulho para os habitantes sem condições desse bairro significava isso e quem se metesse nos assuntos alheios encontrava a morte, por isso ninguém se atreveu a olhar pela janela ou prestar socorro.

Afinal pensavam eles, com certeza é mais uma vez a guilda dos ladrões acertando contas com antigos rivais, ou devedores.

A manhã seguinte chega iluminando o bairro, trazendo um certo alivio dos odores noturnos, mas naquela manhã os habitantes da rua de Dorgon desejariam que a noite tivesse continuado eternamente....

...Ao amanhecer um corpo de guardas da cidade de Brascol estava fazendo as rondas na rua, o único horário que é permitido a eles entrarem na quinta do sol...

...Os guardas chamam a região de “O Gueto”, horrorizados com a cena que encontraram chamaram o sargento em comando da unidade.

Uma jovem, com o corpo coberto pelo que se supunha ser um vestido de seda, havia sido encontrada, na soma geral dos atributos não denotava mais que 16 anos e o que sobrara de seu rosto indicava que ela tinha sido bela...

...Seus olhos estavam pendurados pelos nervos óticos para fora da cabeça, seus intestinos saiam pela barriga passavam pelas costas e enrrolavam-se no pescoço e outra parte estava presa a um nó numa arvore, a língua pendia para o lado esquerdo da boca, em volta de seus labios ocupavam um certo tom de roxo, seus cabelos dourados tingidos de manchas de sangue, balançavam ao vento.

O sargento desejou que fosse ele quem estivesse ali naquele lugar, embora horrivelmente multilada e desfigurada, todos conheciam Eva Marim'Ham, tataraneta de Dorgon Marim'Ham e ninguém quer ser responsável a contar a um rei que um membro da família real morreu especialmente quando esse membro é a neta que o rei chama de “razão de minha existência”.

As coisas iriam feder ali e iriam feder para muitos.

Após uma explosão de fúria do capitão da guarda, a noticia chegou ao rei, não se sabe como uma carta anônima com um conteúdo macabro escrita em sangue....

“Os impuros morrem em locais de impuros e sobre o nome de impuros”

O rei mandou que uma guarnição dos “Inquisitores” fossem ao local, investigar e dessa vez eles receberam a ordem direta da boca do rei...

...NÃO POUPEM ESFORÇOS quero a cabeça do assasino de minha neta.

Os gritos continuaram pela manhã toda e dessa vez as pessoas saiam de casa, arrastadas pelos cabelos, ou somente suas cabeças, o exercito real de Brascol não iria embora, ele descobriria nem que precisasse matar todos no “gueto” para descobrir e os inquisitores também chamados de “juízes” garantiriam que a morte da princesa da casa real de Mahim'Ham pareceria “leve” contra aquilo que eles pretendiam aplicar ali.

Após muito suor de fogueiras e sangue, uma informação é conseguida, viram a princesa ser arrastada por dois sujeitos dos muros do palácio até a entrada do bairro, era um começo, a maquina de guerra de Brascol não pararia até por o fim, com certeza a guilda dos ladrões estava envolvida e agora finalmente os “juízes” iriam confronta los....


EM OUTRA PARTE....

Icabot... Seu nome significa filho da tristeza e por anos esse nome lhe caiu como uma luva, seus cabelos crespos chegavam ao ombro e embora até mesmo longos não passavam de um palmo, seus olhos castanhos escuros carregavam uma única mensagem,” afastem se”.

Órfão abandonado nas ruas sujas e escuras de brascol seu primeiro crime foi um pedaço de pão. Ele ri de si mesmo, cercado por 12 guardas e ele se lembra claramente daquele pedaço de pão sujo e escuro, duro como uma telha das casas do Gueto e mesmo agora ele pensa no começo de como ele apanhou e a cada chicotada, como ele jurou nunca mais ser apanhado de novo.

Agora nas galerias e catacumbas de Brascol, o líder da guilda de ladrões tinha seus olhos trêmulos, com as pálpebras quase fechando, úmidos em verdade se você se arrisca-se como os pobres soldados que ele matava avançando pelo esgoto praticamente a proporção de uma morte por passo perceberia que não era o cheiro ou a luta que faziam esses olhos úmidos...


Eles estavam cheio de lagrimas, mas não eram lagrimas pelos perseguidores caídos mortos pelos seus golpes de Larieon que era o nome que ele dera ao seu par de Katar, eram lagrimas que somente um homem apaixonado saberia derrubar, que importava toda sua fortuna, sua fama, sua riqueza, seu controle do submundo, a mulher que ele amava fora morta e enforcada com suas entranhas, na parte da cidade que pertencia a ele e com isso ele se sentia mais impotente que um mendigo sem braços e pernas, pois ele falhou com sua amada...

...Ele não a protegeu dos perigos, ele deixou que o sofrimento da rua a tocasse, ele não era digno de carregar o amor daquela mulher e as ultimas palavras dela ainda ecoavam em sua cabeça... “te am...”.

Lagrimas assim são difíceis de secar, elas caem pelo rosto e seus sulcos chegam até o mais profundo do coração, sua mulher morreu bem na sua frente e você nada pode fazer...

...Você foi incapaz de fazer algo...

Isso martelava a cabeça de Icabot, como se o próprio Coronthar estivesse com seu martelo de forja ainda quente de algum metal só conhecido dos deuses mesmo, entrando fundo como uma farpa de cristal e se estilhaçando em sua alma e parecia que a dor, só estava começando.

Quando deu por si já tinha golpeado quinze vezes o corpo já morto em sua mão... E a Katar continuava a entrar e sair...

Largando o corpo desse oponente ele avança para o próximo, uma jogada de corpo é tudo que ele precisa para desestabilizar sua próxima vitima, isso faz com que ela golpeie na direção errada, será o ultimo erro desse ser...

...Ele morre pensando na garota de taverna que ele e dois amigos se “divertiram ontem” e agora reconhece que o olhar da garota não era de prazer como julgara a principio, mas de terror puro, por tudo que ela acreditar estar desmoronando fácil a sua frente...

...Como é estranha a vida não?

Com uma agilidade felina enquanto o guarda golpeia enganado e perdendo o equilíbrio pela direita, Icabot, se aproveitando da postura assumida pelo seu atacante e achando uma fresta em sua armadura, a katar golpeia com a rapidez de uma cobra quase como se ela tivesse vontade própria, uma extensão do corpo do ladino.

Os olhos se arregalam, o gosto amargo de bile preenche sua boca, Icabot pressiona um botão e as duas laminas paralelas de sua Katar se abrem dentro do corpo, causando uma hemorragia interna gigantesca, seu peso em desequilíbrio somado ao seu golpe desequilibrado e ao gigantesco ferimento na região da cintura, fazem com que sua cabeça vá em direção ao peito, arqueando ainda mais seu corpo, por puro instinto, Icabot afasta uma das pernas e aproveitando o impulso do golpe que executou com maestria, faz com que ele jogue todo peso do corpo para trás na perna direita, começando um giro ele golpeia com a perna esquerda as costelas do já quase falecido adversário, fazendo com que essas costelas perfurem seus pulmões inundando os mesmos com sangue, terminando o giro e com sua katar novamente em sua mão tirada do ferimento com as três laminas abertas, Icabot passa a Katar da mão esquerda no pescoço de sua vitima, cortando a veia do pescoço e fazendo um jorro de sangue imenso no local.

Mais dois oponentes se aproximam, automaticamente ele movimenta as mãos e descreve um arco em volta de si, cruzando suas armas a frente do ombro, esses seres morrem como se tivessem sido cortados por uma única lamina sem nem ao menos terem tempo de revidar.

Um terceiro chega e Icabot escapa por pouco de sua espada, aproveitando o impulso do golpe, ele corta com as duas armas em paralelo o pescoço de um outro sujeito que cometeu o erro de achar que por se esquivar ele estaria mais vulnerável.

Não isso não aconteceu ele corta o pescoço dele, chuta o osso do quadril do outro atacante, fazendo com que esse se vire para ele totalmente desequilibrado, com um movimento rápido Icabot entra entre os braços de seu oponente, fazendo com que com um golpe de ombro ele afastasse a arma ainda mais de sua direção praticamente inutilizando o braço direito para um ataque, suas katares entram na altura dos braços em ângulo reto com as axilas.

Entram profundamente até cortarem tendões e ossos, as forças abandonam os membros superiores, o choque e o horror da morte iminente invadem a mente do homem, outro atacante ao ver o jorro de sangue treme dos pés a cabeça, largando sua espada e fugindo com o puro terror nos olhos.

Ele corre com a velocidade que seu corpo consegue embora essa velocidade seja muito diferente e bem mais lenta do que a que sua mente manda que ele corra para salvar sua vida, largando suas katares no inimigo, Icabot levanta a perna direita e chuta o peito do adversário praticamente morto, quando seu pé toca o peito do oponente, ele executa um giro para a direita e como se não pesasse nada, eleva seu corpo em paralelo com o sangue girando em sentido horário.

Ele fica de costas para seu oponente que começa a cair, mas se posiciona de frente para o que esta correndo, seu casaco infla com o vento do salto agora que ele começa a cair, mas mais rápido que a vista suas mãos treinadas em anos para buscar objetos rapidamente, buscam algo que parecem laminas de facas, em um numero de 6 laminas elas partem das mãos do ladino antes mesmo dele chegar a altura que deveria começar tocar o solo...

...Elas viajam muito rápido pelo ar...

...Uma acerta a panturrilha do guarda que corria, outra a junta do joelho por trás, uma acerta a cintura, uma se crava no meio das costas e outra um pouco acima dos ombros fazendo com que ele se virasse com os braços abertos e com o começo de um grito na garganta...

...Um grito que jamais chegará a ser emitido, pois a sexta e ultima adaga acerta perfeitamente o centro da garganta do homem e seu grito morre nos lábios, dando dois giros completos no ar antes de cair no chão espatifado e sem movimento algum com uma poça de liquido escuro saindo de seu corpo no chão dos esgotos de Brascol.

Icabot toca o chão com o pé esquerdo, gira o corpo e o atacante que ainda está caindo devido ao seu chute e aos ferimentos que sofreu o olha com seu ultimo relance de consciência, ele apenas vê duas mãos muito rápidas retirarem as katares do local aonde elas tinham se alojado, então as vê cruzadas a frente do homem, este homem da um passo lateral, sua mão direita esticasse e de repente os olhos que já tinham dificuldade para enxergar, passam então a ver o escuro do vazio e depois a dor cessa instantaneamente e para sempre...

...A cabeça cortada rola em direção aos que ainda estão de pé, eles tomam a decisão mais sensata que um homem quando sente sua vida em perigo deve tomar eles correm como se um demônio estivesse atrás deles e não estão muito longe disso, o líder desses homens tinha entrado aqui sorrindo e podem apostar que ele não era um covarde, não senhor, herói de guerra condecorado e por diversas vezes riu enquanto seus homens eram mortos.

Mas ele reconhece um homem tomado pelo desespero homicida, um homem que ataca sem se importar em viver ou morrer e é por isso que ele se junta aos seus soldados em fuga, é por isso que ele não esta rindo agora.

Icabot guarda as katares nas costas, saca facas longas com as laminas medindo quase 18 cm cada uma, os cabos dessas facas são de um marfim cor de pele, decorados levemente com entalhes da grande batalha e o pomo dessas peças terminavam em cabeças de grifos, qualquer um que o pegasse com um par de facas assim diria que ele as tinha roubado.

Estranhamente se ele fosse revistado em um bolso de seu casaco se acharia um papel assinado pelo melhor mestre artesão de Brascol um titulo de propriedade atestanto que Icabot era o legitimo dono, o toque com esses objetos trás uma onda de espasmo e dor ao corpo dele, essas facas foram dadas pela mulher que ele amava...

...Tudo isso acontece em um segundo voltando ao combate ele nota que seu pequeno momento de distração fez com que seus “bravos oponentes” bravamente corressem tanto quanto podiam correm, seu treinamento se identifica quando ele começa a correr, a suavidade dos movimentos e sua compelição menor que um guerreiro normal lhe da uma desvantagem se ele receber ferimentos, mas isso é compensado por uma grande velocidade, sendo assim ele facilmente alcança seus agressores que estavam...

...Bem estavam recuando para uma posição estratégica melhor é isso recuando para uma posição estratégica melhor, não iremos dizer que a corajosa guarda de Brascol correu de um único oponente não é mesmo?

Aproximando se dos dois primeiros ele salta pra frente, jogando as pernas sob a própria cabeça, fazendo seu corpo de uma cambalhota no ar, seus braços, no entanto, golpeiam as nucas dos dois oponentes, as laminas das facas saem nos queixos deles, já estão mortos antes mesmo de tocarem o chão.

Correndo mais um pouco os três últimos oponentes se viram e sacam suas espadas, o nervosismo fica evidente quando eles se atrapalham para sacar suas armas quase as derrubando enquanto as puxam da bainha, as facas de Icabot se movimentam como suas katares, embora mais simples nem por isso deixam de ser mais letais.

Um dos adversários golpeia com sua espada, ela é afastada com uma das faca para longe do alcance de ataque, a outra faca passa por baixo do braço que desviou o golpe e, encontra a carne do queixo de seu agressor e penetra profundamente indo sair entre os olhos da vitima.

O outro atacante olha horrorizado e desfere o que ele espera ser um ataque mais eficiente, ele fala... : “você não luta justo, não tem honra nem coração”...

...Icabot que estava considerando deixar esses dois vivos para levarem um recado a guarda da cidade pensa uma fração de segundos, o suficiente para limpar suas facas ele anda quieto e resoluto e pelo seu andar o líder dos soldados sabe que tudo terminou...

“Não luto justo? Lutar justo é para otarios” fala Icabot com raiva ao ser acusado de lutar injustamente, mas ele não tinha consigo 12 companheiros quando entrou no combate e porque eles falharam a culpa era dele?

Ora isso é demais claro vamos oferecer o lombo de volta pro carrasco bater só que dessa vez se eu for pego não vai ser um pão duro a acusação, se me cortarem as duas mãos eu terei ainda sorte de ficar vivo então deixa ver...

...É não brigado, mas não quero lutar justo! Pensa Icabot isso não lhe traria nenhuma vantagem, mas enquanto a não ter coração o homem estava certo, Icabot sem coração, devia ser seu novo nome, pois o dele fora colocado em uma arvore e ele se sentia seco por dentro, mais seco que a ultima folha de outono antes do inverno cair...

...O líder do bando larga suas armas e grita que se rende, implora por sua vida como uma criança a implorar ao pai por um brinquedo novo, o ladino sente tanto nojo que da uma cambalhota por debaixo das pernas de seu adversário, passando por baixo e corta os tendões das pernas, levanta-se e vai embora, pensando na vingança que terá...

...Sim ele terá a vingança ninguém mata um inocente em sua área e sai impune... Ninguém mata seu amor em sua cidade e sai impune...Seu ultimo ato naqueles túneis é molhar os dedos com um pouco do único objeto possível para deixar um recado à guarda da cidade...

...Sangue...

“Não sou culpado da morte desses homens, seus superiores é quem são, mandam crianças fazerem o trabalho de homens...! "

Enquanto caminhava, Icabot para por um momento como se considerasse uma idéia, lentamente ele volta ainda com os gritos de dor do ultimo homem em seus ouvidos, chorando como uma criança mimada, ele passa pelo homem com os tendões cortados volta e retira suas facas de um dos corpos, facas de arremesso são caras afinal de contas, molha mais uma vez os dedos no sangue desse sujeito e desenha a letra “G” invertida dentro de um circulo.

O recado é mais expressivo do que um discurso de mil palavras, a guilda dos ladinos irá confrontar todos que estiverem em seu território e entrará na briga para valer e quem duvidar ou julgar que eles estão com medo, que entre aqui e veja o que um único deles fez e então saberá se eles tem medo ou causam medo....

...Ele se ajoelha, em seu casaco busca algo que trás ao peito apertando-o muito, uma mecha de cabelos loiros, com lágrimas nos olhos ele saca uma de suas facas passa em seu braço olha para o teto dos esgotos e grita:

“Eu não sei se vocês existem, mas se qualquer deus estiver me ouvindo agora eu peço, DEIXEM ME VIVO ATÉ QUE EU FAÇA COM QUE O RESPONSAVEL POR ESSE CRIME PAGUE.

Após isso não me importa vida ou morte, juro pela única coisa verdadeira que já senti na vida, o amor de Eva Marim'Ham.”

Ele se levanta e sai, caminhando com passos firmes em direção ao escuro que o envolve como se ele fizesse parte dele...