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Conto
A hora do rato:
Parte VI
Os pingos de chuva começaram a cair mais grossos, molhavam um corpo revestido com um vestido de seda, que somente se mexia quando o vento batia nele, uma profissional da vida esquecida em um canto e dois homens que esparramavam, lama e água conforme se mexiam.
Torak levanta-se enquanto seu primo prepara-se para um golpe em sua cabeça e o guerreiro sente a maça de seu primo em seus longos fios de cabelos negros, mas todo o treinamento que levou Torak a conseguir o titulo warlord não fora em vão.
Ele gira seu corpo para a direita evitando o golpe do clérigo e se prepara para revidar, segurando sua espada com a mão direita na altura de sua cintura ele murmura uma série de palavras:
“Unthar flarium, Gathyena Vorigum Firagor”
Sua espada rubra começa a emitir um chio baixo, cada pingo de chuva que toca nela vira instantaneamente vapor o chiar de metal aquecido é reconhecível e em pouco tempo a espada de lamina rubra passa a ter uma aura em sua volta uma aura que reluzia como uma chama de uma fornalha, mas provavelmente de onde veio essa chama, nenhuma mão humana pelo menos deve ter alimentado essa fornalha.
Worthan olha para a espada de seu primo e todo seus estudos na igreja parecem ter saídos dos livros e estarem a sua frente agora, “Gathyena Vogarium Firagor”, a espada feita com a escencia do deus da coragem, justiça e da guerra, a espada perdida do herói Dorgon Marim’Ham estava a sua frente, a coração de Firagor, a espada que liderou a resistência contra o primeiro Rax, mago e rei élfico estava ali bem na sua frente.
Torak ergue a espada e parte para cima de seu primo, embora a lamina mal passe perto de seu peito ele sente a chama mágica da lamina queimar seu peito e solta um grito de dor.
Torak agora brinca claramente com seu adversário, uma arma mágica daquelas era tudo que um adversário não gostaria de encontrar.
O guerreiro golpeia a esmo sem acertar, mas causando dor extrema ao seu adversário fazendo com que o ar se encha com um cheiro rançoso de carne humana queimada, Torak em seu sadismo mal contem seus risos, mas ele parará antes de matar o primo afinal ele pode ser útil se for poupado.
Ao olhar para a figura no chão que se contorce em queimaduras Torak ri, pois identifica que o clérigo murmura uma prece:
“Notieva Goldamar aletutilis Rodiietach...”
“Pedindo proteção dos deuses priminho?” escorneia Torak “Se eles lhe mandarem uma espada mágica quem sabe Firagor deixa seu trono de fogo e vem lutar por você...”
O guerreiro para de falar e se não fosse a chuva ele continuaria molhado pois seu primo agora repete varias vezes o mesmo nome durante a oração.
“Notieva Goldamar aletutilis Rodiietach DOLCAN”.
A menção desse nome Torak estaca, a “Coração de Firagor” vacila em sua mão, o vento rodopia volta do corpo caído de Worthan...
“Seu imbecil... seu GRANDE, GIGANTESCO IMBECIL...”
Gritava a plenos pulmões Torak, sobre a os trovões e raios que agora ecoavam por toda a extensão da planície onde a cidade de Brascol se estendia.
“Seu MERDA, IDIOTA, FILHO DE UMA VADIA COM CORRIMENTO...”
Continuava Torak, mas Worthan não ouvia nada, pois quem invoca o poder do deus da vingança Dolcan nada mais escuta, a não ser a realização de seus desejos mais negros, a um custo pequeno, a sanidade mental do ser.
Claro que isso é lenda para colocar crianças para dormir assustadas, pois essas palavras já foram proferidas muitas e muitas vezes por homens e Dolcan nunca atendeu.
Dizem que para ele atender, é preciso estar passando por uma grande dor e um desejo de destruir tudo que já lhe causou dor, de desistir da vida do céu e da alma...
Em algum lugar em uma terra esquecida uma montanha treme ao som de raios e trovões e uma risada inumana ressoa por essa planície...
E a chuva agora cai intensamente...
Conto
A hora do rato:
Parte V
...Enquanto Ian escondia-se em um estábulo pelos becos da rua de Dorgon, Worthan nem pensava no garoto, agarrado ao cadáver de Eva, chorava copiosamente sobre o corpo, até que uma voz faz com que ele levante sua cara ensangüentada, que se encontrava pressionada contra o corpo que jazia em suas mãos.
“Ora vamos primo, finalmente fez algo que preste desde sua ordenação e agora chora por isso?”
Worthan ergue o rosto e se vê diante de um imponente guerreiro, a espada de duas mãos pende da cintura, ele era alto e musculoso tinha os cabelos negros como a noite numa armadura carmesim, seus músculos mal são contidos pela armadura e ao seu lado, uma mulher de sorriso fácil, que deixaria bem poucas duvidas quanto a sua profissão.
Rangendo os dentes, suas mãos buscam algo na escuridão lamacenta e pela primeira vez na vida ele reage aos abusos de seu primo Torak e essa reação vem na forma de 1.75 kilos de aço na face de seu primo.
A explosão de energia contida entre a massa e seu rosto somado a surpresa da reação de seu primo fazem Torak recuar assustado, sua mão busca instintivamente sua espada e a mulher que o acompanha usa sua habilidade de parecer incógnita para passar desapercebida no caos de aço que se segue.
Torak reage erguendo o maximo que pode sua espada de duas mãos, é uma bela obra de arte, feita de um metal desconhecido que a torna vermelha ao contato com qualquer luz, com seu punho em forma do rosto de um dragão com os chifres do dragão fazendo as vezes da proteção do cabo terminando em um belo e magnífico rubi. Essa espada é erguida acima da cabeça de Torak.
Ao descer em um arco mortal sobre o corpo de Worthan, encontraria a abertura de sua armadura entre o ombro e o pescoço se esse não estivesse com uma das pernas ajoelhadas e defendendo com a massa o arco mortal formado pela espada, para nova surpresa de Torak.
“Ora, ora, ora, parece que a raiva faz meu priminho lutar melhor”
Escarneia o guerreiro das habilidades de luta de seu oponente, tentando adquirir vantagem através da provocação pessoal como sempre fazia entre os dois quando eram crianças, dessa vez, porém ao invés da vantagem só consegue o olhar furioso de seu primo direcionado ao seu rosto.
Para um observador de longe pareceria que o reino tinha adquirido duas novas estatuas, mas um raio perdido na noite faria qualquer observador notar que estatuas não tinham capas e qualquer ouvido mais apurado perceberia as palavras murmuradas pela figura ajoelhada...
Em um berro de fúria elas são liberadas, Worthan estende a mão livre da massa e toca a armadura do primo dizendo a formula magica que liberaria toda sua fúria incontida de seu peito para o peito do primo numa explosão de luz.
“Alexis”
Tudo é muito rápido e Torak tem a sensação que um ferro quente esta sendo enfiado em seu peito através de sua armadura negra, forma se uma luz em formato de cruz aonde Worthan coloca as mãos e em instantes essa luz joga seu oponente a 5 metros de distancia.
O clérigo se ergue com toda raiva e dor que sente amaldiçoando os deuses por tudo que lhe aconteceu até agora e Torak finalmente entende que seu primo liberou toda sua capacidade destrutiva.
É melhor ele não brincar com a situação mesmo sendo um Lorde de Guerra, pois ele pode muito bem perder esse combate, mas para Torak falha não é uma opção a ser considerada.
Nem a oportunidade que se encontra para ele chegar até o trono que jaz morta atrás de seu primo e se for necessário ele matar para chegar até ela ele mataria e o que seu pai pensaria disso?
Que se ele não o fizesse mesmo agora ele estando com 97 anos ele mesmo o faria, então para que deixar um velho sofrer do coração e de intrigas palacianas quando Torak pode muito bem ter o poder?
É uma pergunta que será respondida enquanto ele encara seu adversário e primo avançando com a massa no alto da cabeça para dar lhe fim a sua existência, uma coisa que ele não vai permitir, pois seu coração acabou de ser tocado pela cobiça de um reino e essa é uma picada fatal para qualquer ser.
A chuva continua nessa longa noite de lembranças...