parte I
Um Rei nos
esgotos.
Icabot corria como um desesperado pelos esgotos de Brascol... ele não
sabia direito aonde ia, mas para ele só havia uma única coisa em mente,
vingança, ele havia jurado perante os deuses (não que isso lhe valesse de
alguma coisa, afinal um ladino preso a sua palavra é tão estranho quanto um
bárbaro que seja erudito), mas a palavra de um “homem” apaixonado?
Ah essa
prende e segura tanto quanto o mais profundo porão de um castelo, e se todo
homem é um castelo, com certeza sua mente é um maldito calabouço, aonde as
palavras incompletas “eu te am...” doem muito mais que um ferro quente
atravessando a alma.
Esses pensamentos “prendem” a atenção de Icabot e novamente... lágrimas
bortam em olhos acostumados a matança e ele percebe antes de ser tarde demais,
movimentos suspeitos no túnel a sua frente.
-“Seja quem for eu não estou com bom humor para rixas” – exclama Icabot,
acostumado às intrigas do submundo de Brascol e tarde demais ele percebe no
meio das armaduras prateadas da guarda, uma armadura negra, a marca dos juízes
do julgamento, juiz, tribunal, júri e executor na mesma figura, mesmo Icabot um
ladino que quase beira o status de lendário nas
mansões e ricas ruas de comercio de Brasol, pensa duas ou três vezes
antes de correr de um juiz.
Infelizmente como todo homem de poder os juízes já haviam se corrompido a
muito tempo, diziam que entre todos apenas um, Aldren da armadura negra, o
cavaleiro do grifo prateado, era o único que ainda se mantinha integro e fiel
aos preceitos iniciais da ordem, Aldren não era somente um juiz, era um
Warlord, tão poderoso que nem o próprio Torak, um dos candidatos a sucessão do
trono, evitava confrontá-lo sem necessidade.
Reconhecer a figura de Aldren era fácil, ele tinha aproximadamente 1,95
de altura, tinha olhos pacíficos e serenos quando calmo e um olhar resoluto
quando irritado, o lábio superior repousava sempre o lábio inferior,
perfeitamente não fosse por uma pequena diferença de tamanho desse ultimo, seus
olhos eram azuis, sua estrutura física era a de um guerreiro que não descuidava
das suas 8 horas de treinamento diários obrigatório da guarda (muito embora a
maioria cumpria apenas 2 dessas 8 horas) seus olhos eram grandes e redondos,
azuis como o céu sem nuvens em uma tarde de verão, ele também tinha uma vasta e bem cuidada cabeleira negra, vestia uma armadura negra com os adornos em dourado,
que era ornada com a cabeça de um grifo no peitoral, ombros e joelhos, o símbolo
da família real de Brascol. Infelizmente para Icabot, essa era exatamente a figura que estava parado a sua frente...
Aquele com certeza era um lutador que suplantava as habilidades de
Icabot, mas mesmo assim ele não iria se entregar fácil, refeito do susto Icabot
começa a sacar suas katares...
Aldren nada diz, ele está em missão pela família real, de luto e triste
por não ter conseguido proteger sua princesa... a visão dela ainda sendo morta
por Worthan ecoa em sua mente... e ele nada pode fazer contra um clérigo e um
warlord, agora ele estava diante de um Juiz, por um instante Icabot pensou que
fosse brincadeira dos deuses, afinal a anos ele não invocava nenhuma divindade
e quando ele resolve fazê-lo parece que elas o penitenciam dificultando o
máximo a sua vida.
O chiado da espada de Aldren preenche os esgotos, Icabot agora nada diz,
ele fita todos os guardas, embora ele saiba que pelo seu senso de honra, Aldren
não deixará que ninguém interfira, mesmo assim ele preferiria enfrentar os 18
guardas que conta atrás de seu adversário que o cavaleiro empunhando aquela
espada de lamina larga...
“Deixe o Aldren... eu preciso dele vivo...”
Aquilo de certa forma acertou o orgulho já quase inexistente de Icabot,
com certeza estavam o subestimando, mas o que ele viu, o fez perceber que seria
melhor ele encarar o conclave, a reunião dos 15 juízes do que aquele
adversário...
Era uma figura, se compararmos com os outros de estatura mediana, mais ou
menos 1.65 de altura, ele estava vestido com uma túnica simples de cor verde
clara, seus cabelos quando havia tido cores tinham sido castanhos, seus ombros
estreitos, seus olhos negros, mas por mais que em todo seu corpo desse sinais
do tempo passado, ali aqueles olhos... aqueles olhos mostravam que aquele ser
já havia passado por algumas coisas na vida, e embora ele parecesse o mais
fraco de todos fisicamente, mais fraco inclusive que o próprio Icabot, o som de
sua voz, bastou para colocar todos os que o acompanhavam de joelhos...
Icabot pensou que realmente não devia ter clamado pelos deuses... pois
com certeza algum deles (se não todos) resolveram sacanea-lo...
Já não mais agüentando as peripécias do destino Icabot grita a plenos
pulmões.
-“você????? O que queres em MEU REINO”?
O homem ri, um riso fraco e não alegre, o riso de alguém que escuta a
mesma piada a muito tempo e a acha sem graça mas por simples educação ri.
- “Seu reino? Da ultima vez que conferi a coroa de Brascol ainda estava em
minha cabeça e esta para o incomodo de muitos continua grudada em meu corpo e
como sou teimoso, isso continuará assim por muito tempo”.
Pela primeira vez em sua vida Icabot REALMENTE fica nervoso.
-“o que quer de mim?”
-“mataram a luz de minha existência... não... mataram a luz de NOSSA existência...”
-“então ele sabia...” pensa Icabot. “não sei do que você fala”.
O peito de Lothar infla, seus olhos ardem em fúria mas seu corpo nada diz
do que passa em sua mente, fora seus olhos, não há a menor expressão em seu
corpo.
-“Muito bem eu clamo o direito da guilda de julgamento por combate, se eu
vencer em combate eu passo a ser o líder não é mesmo?”
A mente de Icabot mergulha na mais profunda descrença aquelas palavras, “-
Como você sabe de nossas leis? Quem lhe contou? Você precisa ser reconhecido
por um de nós para fazer parte da guilda? Quem o reconheceu, com certeza se alguém
o reconhecesse como um de nós eu saberia?”, as perguntas são feitas de uma
maneira a ganhar tempo... a colocar as idéias em ordem, tudo estava indo rápido
demais.
Lothar abre um sorriso de alguém que agora se diverte muito com a
situação, esse era o reino dele, há muita pouca coisa que ele não sabe a
respeito de seu próprio reino... “-Você uma vez na taberna da cobra caolha,
disse em alto e bom som que o rei não passava de um ladrão com a maquina do
Estado para se defender... e talvez eu seja, fui reconhecido por você e você
não pode escapar, pois o desafiei perante a mais de um ladrão.”
Icabot olha para os lados e confirma aquilo que ele já sabia, os seus não
deixariam invasões territoriais ficarem acontecendo, mas aquelas palavras,
embora tivessem sido um jogo de palavras e não com o intuito que Lothar
clamava, haviam sido ditas realmente e agora eles paravam, seu líder havia sido
desafiado, haveria o julgamento pelo combate.
Resoluto Icabot olha para Lothar e diz
- “Aceito o desafio velho, o rei de Brascol tomba hoje”
Icabot não pareceu se incomodar com o olhar de Aldren para ele, mas uma
coisa o incomodou e muito.
Lothar foi até dois guardas e lhes pediu as adagas, “Não trouxe armas,
achei que não seria necessário”
Lothar faz uma nota mental, melhorar o equipamento padrão de seus
guardas... (quem sabe trocar toda a guarda seria uma boa...)e toma sua posição...
O Rei de Brascol contra o rei do submundo de Brascol...
Cumprindo a promessa que fiz, aqui está a próxima parte da história agora.
Em 15 dias a continuação aguardem...(prometo que não demorará mais dois anos)